terça-feira, 31 de maio de 2011

Gabinete Digital tenta levar o governo para a internet

Foi o encontro da fome com a vontade de comer. Com o lançamento no último dia 24 do Gabinete Digital, em cerimônia que contou com a presença de diversos ativistas e figuras da esquerda "virtual" no Palácio Piratini, o governador Tarso Genro começa a testar a compatibilidade da internet com teorias desenvolvidas há décadas pelo Partido dos Trabalhadores.

Um dos principais intelectuais do PT, Tarso é um defensor da democracia direta, um regime em que população tem um papel mais ativo na condução da sociedade do que apenas escolher os seus representantes a cada eleição. Ele foi um dos mentores de uma ação pioneira no país nesse sentido, o Orçamento Participativo desenvolvido em Porto Alegre por 16 anos em cinco administrações, sendo duas vezes o próprio Tarso o prefeito.

Agora o governador apresenta mais um projeto pioneiro, aliando o ideal de democracia direta às possibilidades da internet. Pela facilidade de acesso tanto à transmissão quanto à recepção de informações para todos os usuários, a internet tem potencial para ser o espaço ideal da democracia direta. É nesse poder de diálogo que aposta o Gabinete Digital.

O Gabinete é composto de três ferramentas. Em "Governador Responde", os internautas vão enviar perguntas e votar naquelas que desejam ver respondidas. A mais votada de cada mês será respondida pelo governador. Em "Agenda Colaborativa", as atividades de "interiorização" do governo, quando governador e secretários transferem seus gabinetes para outras cidades, receberão sugestões de temas a serem tratados. Por fim, em "Governo Escuta", audiências públicas com especialistas em temas da atualidade serão transmitidas pelo site e terão participação dos internautas.

O site segue algumas políticas comuns de governos do PT na área digital, foi criado em software livre e com licença Creative Commons. Esta tomada de posição do governo Tarso gerou manifestações de alguns dos presentes na cerimônia, como o ator José de Abreu, que se engajaram na eleição da presidenta Dilma Roussef e demonstraram descontentamento com atitudes do governo federal, como a retirada do Creative Commons do site do Ministério da Cultura.

Na inauguração, o governador lembrou a separação atual entre a população e os seus representantes e falou em "radicalização democrática". Já coordenador do projeto, Vinicius Wu, afirmou que a partir de agora "o cidadão só não atuará nas decisões do Governo se não quiser". O Gabinete Digital tem, obviamente, bem menos poder deliberativo que o Orçamento Participativo, mas pode ser um passo para levar a democracia brasileira de vez para a internet, finalmente partindo do próprio Estado.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Teia de incentivos 3 - Muito editado

Por Roberto Zambonato

Em 2001, o mundo dos gibis era negro. Saídas de uma década de crise, as grandes editoras americanas cortavam gastos. Grandes desenhistas eram demitidos. Grandes roteiristas achavam espaço em outras áreas, com melhor remuneração. O mercado dos quadrinhos, encabeçado pelas gigantes Marvel e DC Comics, diminuía em alta velocidade. Sem enxergar alternativas, as editoras faziam pouco mais que lançar novas séries a cada três meses, buscando novo público, sem muitos resultados. Mas no ano seguinte, com o lançamento do primeiro filme do carismático Homem-Aranha, o horizonte brilhou, mais uma vez cheio de esperança.

Era o blockbuster que as editoras precisavam. Um novo público surgiu, adolescentes voltaram a encarar os super-heróis como algo descolado, novo, desejado. Ao mesmo tempo, antigos leitores voltaram a buscar os quadrinhos, motivados pelo renascimento.

Com o sucesso massivo de Homem-Aranha, uma nova leva de filmes sobre super-heróis foi lançada, dos mais famosos, como o remake de Super-Homem, aos mais obscuros, como Kick Ass. E os resultados foram dos mais desastrosos, como Demolidor, até os mais bem-sucedidos, como Batman Begins e sua seqüência, O Cavaleiro das Trevas. E agora, com o respaldo dos seus antecessores, chega às telas a nova aposta da Marvel, Thor.

A escolha do grande filme de super-herói deste ano não apareceu do nada. Ele é a receita trabalhada de insistência no nicho bem-sucedido, com a promessa de uma nova série de filmes. Thor, herói que simboliza o avatar do deus do trovão da mitologia nórdica, faz parte d'Os Vingadores, uma equipe de heróis que replica em muitos sentidos a Liga da Justiça, da rival DC Comics, mas prima pela concentração no emocional e personalidade dos seus membros - característica, aliás, encontrada nos personagens da Marvel.

Além de Thor, Homem de Ferro, Homem-Aranha e Wolverine, membros da equipe que já possuem seus filmes, os próximos já estão a caminho. O líder, Capitão América, por exemplo, já está prestes a ter seu filme lançado, e o personagem Gavião Arqueiro aparece nas últimas cenas do filme de Thor, sinalizando a proximidade do filme próprio da equipe.

O hobby de ler gibis se modificou, renasceu na década de 2000 e começou os anos 2010 com estilo, apostando em um personagem instigante e popular. Neste ano, além da estréia em julho do Capitão América, em junho a DC responde com o filme do Lanterna Verde, tentando suplantar a popularidade da rival com um de seus personagens clássicos. O embate entre Marvel e DC continua, mais lucrativo que nunca - para várias indústrias - e bem diferente dos prognósticos feitos dez anos atrás, apocalípticos e temerosos, sem saber que o messias estava logo ali, trazendo consigo o sucesso preso à teia.

Teia de incentivos 2 - Pouco editado

Por Roberto Zambonato

Em 2001, o mundo dos gibis era negro. Saídas de uma década de crise, as grandes editoras americanas cortavam gastos. Grandes desenhistas eram demitidos. Grandes roteiristas achavam espaço em outras áreas, com melhor remuneração. O popular passatempo, alimentado pelas gigantes Marvel e DC Comics, decaía em alta velocidade. As editoras apenas observavam, fazendo pouco mais que lançar novas séries a cada três meses, buscando novo público, sem muitos resultados. Então veio 2002 e, com o primeiro filme do carismático Homem-Aranha, e o horizonte brilhou mais uma vez cheio de esperança.

Era o blockbuster que as editoras de quadrinhos precisavam. Novos públicos se interessaram, adolescentes encararam os super-heróis como algo descolado, novo, desejado. Antigos leitores voltaram a buscar o trabalho das editoras, motivados pelo renascimento.

Com o sucesso massivo de Homem-Aranha, uma série de filmes sobre super-heróis foi lançado. Dos mais famosos, como o Super-Homem, até os mais obscuros, como Kick Ass. Dos mais desastrosos, como Demolidor, até os mais bem-sucedidos, como Batman Begins e sua seqüência O Cavaleiro das Trevas. E hoje, com o respaldo dos seus antecessores, o primeiro d'Os Vingadores chegou às telas, já como promessa de sucesso: Thor.

O novo grande filme de super-herói deste ano não apareceu do vácuo. Ele é a receita trabalhada de insistência no nicho bem-sucedido, com promessa de uma nova série de filmes lucrativa. Thor, herói da Marvel que simboliza o deus do trovão da mitologia nórdica, faz parte d'Os Vingadores, uma equipe de heróis que replica em muitos sentidos a Liga da Justiça, da rival DC Comics, mas prima pela concentração no emocional e personalidade dos seus membros - característica, encontrada nos personagens da Marvel.

Além de Thor, Homem de Ferro, Homem-Aranha e Wolverine, membros da equipe que já possuem seus filmes, o projeto dos próximos já está a caminho. Capitão América, líder d'Os Vingadores, por exemplo, já está prestes a ter seu filme lançado, e o personagem Gavião Arqueiro aparece nas últimas cenas do filme de Thor, simbolizando a proximidade do filme próprio da equipe.

O hobby de leitura de gibis se alterou, renasceu na década de 2000, e começou os anos 2010 com estilo, apostando em um personagem instigante e popular. Ainda este ano, além da estréia de Capitão América, em julho, a DC responde com o filme do Lanterna Verde, a estrear em junho, buscando suplantar a popularidade atual da Marvel com um de seus personagens mais famosos. O embate entre Marvel e DC continua, nunca sendo tão lucrativo para as mais diferentes indústrias, e nunca tão diferente dos prognósticos feitos dez anos atrás, apocalípticos e temerosos, sem saber que o messias estava logo ali, trazendo consigo o sucesso preso à teia.

Teia de incentivos

Por Roberto Zambonato

Em 2001, o mundo dos gibis era negro. Saídas de uma década de crise, as grandes editoras americanas cortavam gastos. Grandes desenhistas eram demitidos. Grandes roteiristas achavam espaço em outras áreas, com melhor remuneração. O popular passatempo, alimentado pelas gigantes Marvel e DC Comics, decaía em alta velocidade. Sem verba para procurar uma alternativa melhor, as editoras apenas observavam fazendo pouco mais que lançar novas séries a cada três meses, buscando novo público, sem muitos resultados. Então veio 2002, e, com o ano, o primeiro filme do carismático Homem-Aranha, e o horizonte brilhou mais uma vez cheio de esperança.

O filme de 2002 não foi o primeiro filme de super-heróis, fórmula já muito utilizada anteriormente no cinema, mas foi um marco por ser o primeiro a apropriar-se do personagem e começar sua própria história, seus próprios conflitos, cheio de investimento, voltado ao público, pensando em, objetivamente, lucrar. Era o blockbuster que as editoras de quadrinhos precisavam. Novos públicos se interessaram, adolescentes encararam os super-heróis como algo descolado, novo, desejado. Antigos leitores voltaram a buscar o trabalho das editoras, motivados pelo renascimento.

Com o sucesso massivo de Homem-Aranha, uma série de filmes sobre super-heróis foi lançado. Desde os mais famosos, como o remake de Super-Homem, até os mais obscuros, como Kick Ass. Desde os mais desastrosos, como Demolidor, até os mais bem-sucedidos, como Batman Begins e sua seqüência O Cavaleiro das Trevas. E hoje, com o respaldo dos seus antecessores, o primeiro d'Os Vingadores chegou às telas, já como promessa de sucesso: Thor.

O novo grande filme de super-herói deste ano não apareceu do vácuo. Ele é a receita trabalhada de insistência no nicho bem-sucedido dos gibis com promessa de uma nova série de filmes lucrativa. Thor, herói da editora Marvel que simboliza o avatar do deus do trovão da mitologia nórdica, faz parte d'Os Vingadores, uma equipe de heróis que replica em muitos sentidos a Liga da Justiça, da rival DC Comics, mas prima pela concentração no emocional e personalidade dos seus membros - característica, aliás, encontrada nos personagens da Marvel.

Além de Thor, Homem de Ferro, Homem-Aranha e Wolverine, membros da equipe que já possuem seus filmes bem-sucedidos, o projeto dos próximos já está a caminho. Capitão América, líder d'Os Vingadores, por exemplo, já está prestes a ter seu filme lançado, e o personagem Gavião Arqueiro aparece nas últimas cenas do filme de Thor, simbolizando a proximidade do filme próprio da equipe de heróis.

O hobby de leitura de gibis se alterou, mas renasceu na década de 2000, e começou os anos 2010 com estilo, apostando em um personagem instigante e popular. Ainda este ano, além da estréia de Capitão América, em julho, a DC responde os Vingadores com o filme do Lanterna Verde, a estrear em junho, buscando suplantar a popularidade atual da editora Marvel com um de seus personagens mais famosos. O embate Marvel e DC Comics continua, nunca sendo tão lucrativo para as mais diferentes indústrias, e nunca tão diferente dos prognósticos feitos dez anos atrás, apocalípticos e temerosos, sem saber que o messias estava logo ali, trazendo consigo o sucesso preso à teia.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Os muitos novos guardiões da informação

Dentro da ausência de limites do ciberespaço, o papel de gatekeeper - o "guardião", aquele que escolhe o que vai ser e o que não vai ser notícia -, antes atribuído ao jornalista ou ao veículo, foi distribuído. O leitor de jornal, por exemplo, ao entrar na internet, tem à disposição não só o seu jornal, mas também uma infinidade de sites, blogs de jornalistas ou de pessoas comuns, todos tratando do(s) assunto(s) que lhe interessa(m).

Nesse contexto estão os sites de redes sociais, como o Twitter. O Twitter interfere no poder de escolher o que é notícia transferindo-o para o leitor, de duas formas.

Em primeiro lugar, o Twitter dá voz igual a todos. E depois que todos disseram o que tinham a twitar, o site ainda hierarquiza os assuntos conforme a sua "popularidade", através dos Trending Topics. O jornalista, que tem o dever de estar (e aparentar estar) informado, não pode ignorar esse falatório. Isso confere à plataforma - isto é, aos usuários - o poder de pautar o jornalista.

Em segundo lugar, se existe a demanda por algum tipo de informação, provavelmente vai existir a oferta em algum perfil. Assim, com a infinidade de opções, o leitor pode escolher seguir apenas os veículos, as editorias, os jornalistas, as hashtags que lhe interessam. O leitor "monta" o seu jornal. Desta forma, a relação entre o jornalista e o seu público se torna uma espécie de osmose, em que eles vão se tornando cada vez mais parecidos.

Mesmo assim, para manter a sua relevância na sociedade, o jornalista precisa garantir a relevância e a confiabilidade da informação que publica. Como a quantidade de coisas que acontecem continua sendo grande, mesmo dentro de nichos o jornalista precisa filtrar os fatos. Mas essa tarefa agora é mais difícil, pois a escolha não pode mais ser tão arbitrária ou pessoal como sugeria a teoria do gatekeeper. Agora ela é compartilhada.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Atividade de hipermídia

Resumo da Cobertura do Seminário Internacional Comunicação para o Desenvolvimento, realizado nos dias 18 e 19 de abril na sede da Embrapa Clima Temperado.
Cobertura do Evento no Twitter.
Imagens no Twitpic.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Cyberbullying: a crueldade 2.0

Até poucos anos atrás, o bullying não tinha nem nome. Atos de violência física ou psicológica entre crianças eram considerados normais e a escola só se envolvia em casos extremos, não raro para culpar as vítimas por se sentirem ofendidas quando eram ofendidas.

Mas em uma sociedade de violência crescente, a violência escolar acompanhou esse crescimento e finalmente chamou atenção dos adultos. Agora, com um perigoso aliado proporcionado pela revolução digital: o cyberbullying.

O cyberbullying é a transposição do assédio e intimidação entre crianças, do espaço físico para o virtual. Para isso podem ser usados celular, emails, comunidades de difamação das vítimas e até perfis falsos em sites de relacionamento.

O agressor tem a vantagem de poder se proteger no anonimato e não precisar de hora e local específicos para causar sofrimento. E como frequentemente os mais jovens tem mais conhecimentos do mundo virtual do que os seus pais, a situação piora.

Como o nome indica, a preocupação com o cyberbullying começou no exterior. Os EUA já contam com vários casos de suicídio motivado por bullying e cyberbullying. Curiosamente, o mais conhecido, da menina Megan Meier, de 13 anos, teve como "carrasco" a mãe de uma colega de Megan. Lori Drew, de 47 anos, fingia ser um menino interessado em Megan. Minutos antes do suicídio, Lori havia enviado uma mensagem dizendo a Megan que "o mundo seria melhor sem ela".

Megan Meier, 13 anos, se suicidou após sofrer cyberbullying

No Brasil já houve pelo menos um caso extremo envolvendo o uso das novas tecnologias para humilhação. O jovem paranaense Thiago Arruda, de 19 anos, foi chamado de "homossexual e pedófilo" em uma comunidade virtual e passou a ser agredido na rua. Um ano depois, Thiago foi encontrado morto dentro do seu carro, asfixiado pelo monóxido de carbono do escapamento do próprio carro, levado por uma mangueira.

A negligência acaba sendo vencida da maneira que os adultos se entendem: pelo bolso. No ano passado, uma mãe foi condenada a pagar R$ 5 mil por montagens fotográficas feitas pelo filho para humilhar um colega e postadas na internet em Carazinho, RS. Em São Paulo, alguns pais já registram atos de cyberbullying em cartório para possíveis processos.

Além disso, diversos estudos e projetos tentam jogar luz no tema "recém descoberto". No Rio Grande do Sul, foi aprovada uma lei que prevê políticas públicas de combate ao bullying nas escolas de ensino básico e de educação infantil, e o Congresso Nacional vai pelo mesmo caminho.

Entrevista: André Salvador, da Difunk

RSN: Há quanto tempo existe a Difunk?

AS: A Difunk formalizou-se como banda em março de 2010 quando fez seu primeiro show no Café Europa em Pelotas-RS.

Quem são os integrantes?

André Salvador – vocal; Cristian Camargo – bateria; Matheus Menegaz – baixo, DJ e guitarra.

Qual é a proposta da banda?

A Difunk tem com principal proposta agitar o publico e fazer um show totalmente pra cima por onde passa. Sempre misturando sons atuais com a batida do funk, hip-hop e música eletrônica. Dando uma cara mais melódica ao funk e o deixando mais pop.

Como tem sido o retorno do público?

Tem sido incrível, bem acima do esperado em um ano de banda... Somos o 2° twitter mais seguido de Pelotas, temos um público fiel em várias cidades pelo estado e aos poucos estamos subindo o estado e o país pra mostrar o trabalho pra mais gente.

Os problemas da música independente em Pelotas

O artista pelotense precisa dar um empurrão no público. É o que se conclui na conversa com alguns músicos da cidade, em que eles relatam as suas visões do cenário independente da música local - ou seja, quase toda a música local.

Para o rapper Zudizilla, o problema "nunca foi o público. Se somos independentes e não tá rolando festas etc, é porque nós mesmos não estamos fazendo por onde." Ele teoriza que "a relação artista-público deve ser estabelecida através de mais do que simplesmente musica. É muito fácil, pela internet, conhecer bandas que não são da nossa cidade, por isso temos que trabalhar em um diferencial que aproxime o artista de seu ouvinte."

Já a cantora Gabi Lima, que hoje mora em POA, mas por muitos anos frequentou bares e festivais da cidade com o seu rock alternativo, não isenta ninguém. "Acho que o espaço é pouco, o pessoal prefere sair pra ouvir cover das mesmas coisas que as pessoas tão fazendo cover há 20 anos. Acho que os produtores pagam mais para bandas de fora do que bandas locais, como se fosse um mérito não ser de Pelotas. Acho que as bandas locais se sujeitam a condições ruins de trabalho."

O pessimismo só dá uma trégua parcial na análise da música em si. "Quanto à produção... acho que tem coisas maravilhosas, que só algumas dezenas de pessoas vão conhecer." Os dois músicos, de origens distintas entre si, concordam que não há um estilo predominante na cidade, ecletismo celebrado por Zudizilla. "Já toquei com banda de tudo que é tipo, dentro do âmbito alternativo. Isso é muito bom."

Mas questionados sobre o que mudou na cidade nos anos em que estão na ativa, eles demonstram perspectivas que são consequência do background diverso. Enquanto Gabi reclama que "fechou o [bar] Minifundio", Zudizilla diz que "muitos roqueiros mudaram sua visão a respeito do rap, e muitos rappers fizeram o mesmo."

Novidades do cinema

Estréia amanhã a animação Rio. A produção é americana, mas o diretor é o brasileiro Carlos Saldanha. Blu é uma arara azul que vive com a sua dona na cidade de Moose Lake, em Minnesota. Eles descobrem que existe uma fêmea da espécie de Blu no Rio de Janeiro e partem para uma aventura intercontinental. Um dos destaques do filme são as vozes de Carlinhos Brown e Rodrigo Santoro.
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Também amanhã estréia o drama romântico Contracorrente, uma produção associada de Peru, Colômbia, França e Alemanha. Em uma pequena vila de pescadores no Peru, Miguel e Mariela estão prestes a ter o seu primeiro filho quando o fotógrafo Santiago se muda para a vila e passa a fotografar os moradores. Miguel desenvolve um caso com Santiago e tenta manter os dois relacionamentos e as aparências, enquanto Santiago quer acabar com esse comodismo.
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No mês de Agosto estréia a adaptação para as telonas de um dos desenhos que marcaram os anos 80, os Smurfs. O filme será uma animação em 3D, dirigido por Raja Gosnell (Scooby-Doo), e no roteiro os pequenos seres azuis precisam achar o caminho de volta para casa, após ir até Nova Iorque fugindo do arqui-inimigo Gargamel.
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Site oficial

segunda-feira, 11 de abril de 2011

UCPEL lança novo portal e avança no mundo virtual

A Universidade Católica de Pelotas lançou na última segunda feira o seu novo site. A mudança faz parte de uma série de iniciativas que buscam inserir a Católica cada vez mais no mundo da comunicação virtual. O novo portal tem a intenção de integrar todos os segmentos da comunidade, incluindo acesso a sites dos cursos, notícias e ao Sapu - Sistema de Apoio UCPEL, utilizado para complementar as aulas e facilitar a comunicação entre alunos, professores e a instituição.

Além das mudanças visuais e de navegabilidade, o site também passou a agregar outras plataformas utilizadas pela UCPEL na internet, como Youtube, Twitter e Orkut. A conta da universidade no Twitter, que tinha como nome de usuário @catolicapelotas, agora passa a ser acessada por @UCPEL.

A cerimônia de lançamento ocorreu no Espaço de Convivência do Campus I da UCPEL e contou ainda com show da banda Pimenta Buena. O endereço do novo site é http://www.ucpel.tche.br/.

terça-feira, 5 de abril de 2011

U2 volta ao Brasil com novo show em 360°

"A Garra", a estrutura que sustenta o novo show do U2

Depois de cinco anos, o U2 volta ao Brasil para mais um espetáculo que promete supreender os fãs. A U2 360° Tour desembarca em São Paulo nos dias 9, 10 e 13 de Abril, no estádio Morumbi, trazendo os sucessos do útimo disco da banda irlandesa, No Line On The Horizon, de 2009, além dos grandes clássicos do grupo.

O U2 foi formado em 1976, em Dublin e se tornaram estrelas da música mundial nos anos 80, com canções como Sunday Bloody Sunday e With or Without You. Na década seguinte a banda resolveu experimentar com música eletrônica e, enquanto a quantidade de hits caía, o tamanho dos shows cresceu até a escala megalomaníaca de outras bandas tradicionais como Rolling Stones e Iron Maiden.

Nos últimos anos o U2 retornou ao rock básico do começo de carreira, como mostra o útimo single, I'll Go Crazy If I Don't Go Crazy Tonight. Enquanto isso, o tamanho dos shows aumenta. Nos shows da 360° Tour, a banda toca quase no centro do estádio, cercada pela platéia, enquanto a maior estrutura já utilizada em um show de rock, com quase 50 metros (a chamada The Claw, "a garra"), proporciona um espetáculo visual em 360°. Segundo Bono, "a escala [da estrutura] me deixou um pouco nervoso. Mas quando você vê aquilo na sua frente, eu tenho que dizer, eu tive uma pequena tremedeira nos joelhos".

Os ingressos para os shows no Brasil custam: R$ 70 (cadeira superior amarela); R$180 (pista); R$ 220 (arquibancada amarela); R$ 240 (arquibancadas azul, vermelha, vermelha especial e laranja); R$ 340 (cadeira inferior A e B); R$ 380 (cadeira superior azul 1, cadeira superior azul premium, cadeira superior vermelha e cadeira superior laranja).

U2 volta ao Brasil com novo show em 360° e a maior estrutura já utilizada em um show de rock

Depois de cinco anos, a maior banda de rock do mundo volta ao Brasil para mais um espetáculo que vai supreender e maravilhar o público. A U2 360° Tour desembarca em São Paulo nos dias 9, 10 e 13 de Abril, no estádio Morumbi, trazendo os sucessos do útimo disco da banda irlandesa, No Line On The Horizon, de 2009, além dos grandes clássicos do grupo, e um novo conceito em shows de rock.

O U2 foi formado em 1976, em Dublin, na Irlanda, por Bono (vocal), The Edge (guitarrra), Adam Clayton (baixo) e Larry Mullen Jr (bateria). Nos anos 80 eles se tornaram estrelas da música mundial com o rock básico e emocionante demonstrado em canções como Sunday Bloody Sunday e With or Without You.

Na década seguinte a banda fez experimentos com música eletrônica e começou a transformar os seus shows em mais do que shows de rock, experiências grandiosas com vídeos e cenários colossais. O sucesso continuou com One e Stay (Faraway, So Close!), entre outras.

Nos últimos anos, já consolidados como grande potência do rock mundial, o U2 tem se destacado, por sua ações políticas e filantrópicas, em especial do vocalista Bono. Bono já participou de diversas campanhas contra a pobreza no mundo, foi ao encontro de diversos líderes mundiais, como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e já foi votado uma das Pessoas do Ano da revista Time.

"A Garra", a estrutura que sustenta o novo show do U2

Os shows da 360° Tour, que já passaram por mais de 20 países, marcam mais um estágio na gradiosidade que envolve o nome U2. O palco fica quase no centro do estádio e, enquanto a banda toca, cercada pela platéia, a maior estrutura já utilizada em um espetáculo musical, com quase 50 metros, chamada The Claw ("a garra") proporciona uma experiência visual sem precedentes, em 360°.

Cada uma das 4 "pernas" da The Claw custa mais de US$ 15 milhões e possui o seu próprio próprio sistema de som. Cada show envolve o trabalho de aproximadamente 250 pessoas e o custo diário de produção é de US$ 750 mil. Segundo Bono, "a escala [da estrutura] me deixou um pouco nervoso. Mas quando você vê aquilo na sua frente, eu tenho que dizer, eu tive uma pequena tremedeira nos joelhos".

Os ingressos para os shows no Brasil custam: R$ 70 (cadeira superior amarela); R$180 (pista); R$ 220 (arquibancada amarela); R$ 240 (arquibancadas azul, vermelha, vermelha especial e laranja); R$ 340 (cadeira inferior A e B); R$ 380 (cadeira superior azul 1, cadeira superior azul premium, cadeira superior vermelha e cadeira superior laranja).

terça-feira, 29 de março de 2011

Comércio pelotense ainda não aderiu à internet

O e-commerce, o comércio pela internet, cresceu 40% entre 2009 e 2010, chegando a um faturamento de R$ 14,8 bilhões. Mas o comércio pelotense aparentemente prospera sem se render à tecnologia. Além da falta de informações sobre o assunto, muitas empresas da cidade possuem sites, mas poucas utilizam seus sites para fazer negócios.

Conforme o relato de Marcos Macedo, da Livraria Mundial, uma explicação pode ser o desinteresse do público local. A Mundial faz vendas pelo site desde 2009, mas "90% das vendas [pelo site] são realizadas para fora de Pelotas, em todo o Brasil. O público pelotense usa o site para dar sugestões, pedir informações e enviar currículos para trabalho". O setor de livros e revistas foi um dos maiores em volume de vendas pela internet em 2010.

Outra explicação pode ser o momento positivo pelo qual passa a economia do país. Enquanto o público principal do e-commerce, as classes A e B, passam a comprar mais pela internet, o público que chega à chamada nova classe média toma o seu lugar nas lojas físicas.

E entre os que aderiram ao e-commerce, fugir da loja física é a grande jogada. A bancária Maisa Neves afirma que faz compras pela internet regularmente, porque "é mais prático de procurar, tu podes entrar em vários sites para analisar os preços". Já o estudante de cinema Diego Moura elogia o preço e a variedade dos produtos. "O que mais compro são tênis, porque além dos preços serem bem melhores do que os praticados no comércio local, existe uma variedade muito maior".

A localização do site raramente é preocupação para os compradores. "Já comprei coisas de países que eu não sei pronunciar o nome", revela Diego. Mas se nem os consumidores e nem os vendedores estão dando bola, por outro lado o governo do estado está entrando na briga pelos impostos provenientes do comércio eletrônico.

O Rio Grande do Sul é um dos 18 signatários de um protocolo que visa unificar a cobrança da ICMS sobre vendas pela internet. Como os centros de distribuição das grandes lojas de eletrodomésticos e aparelhos eletrônicos se encontram geralmente em São Paulo e no Rio de Janeiro, estes estados ficam o imposto na maior parte das compras virtuais. Em fevereiro, a Bahia passou a cobrar ICMS nessas operações, o que deve ser seguido pelos outros estados.

Sites de compras coletivas estabelecem um novo modelo de comércio no país

Depois de consolidar a praticidade da compra online, a internet quebra mais um galho para o consumidor brasileiro. Desde o ano passado, cidades que concentram uma população de maior poder aquisitivo foram invadidas pelo sites de compras coletivas, Pelotas inclusa.

Os sites apostam na compra por impulso, oferecendo produtos e serviços com descontos que podem chegar a 90%. As ofertas só são concretizadas se alcançarem um número mínimo de compradores. Com isso, o anunciante ganha clientes que não teria em condições "normais", enquanto o comprador ganha uma economia pela qual ele não esperava.

O pioneiro nesse tipo de operação, o Peixe Urbano, existe desde março de 2010. Mas, em menos de um ano, uma pesquisa da e-bit em parceria com a Câmara Brasileira de Comércio eletrônico já apontava a existência de mais de 1200 sites do gênero. Peixe Urbano, Groupon e ClickOn, os três principais sites em atuação no país, respondem por aproximadamente 80% do mercado.

Em Pelotas, onde o comércio eletrônico ainda não é uma tendência muito forte, o Peixe Urbano estreou em fevereiro deste ano. Mas a chegada do novo modelo de compras já inspirou alguns sites, como o Pesquei Oferta que no momento atua apenas na cidade.

As ofertas mais comuns são de restaurantes e sessões de beleza, mas o ClickOn já oferece shows, incluindo um recente pacote para o show do U2 em Buenos Aires, com hotel, restaurante e mais.

Comércio eletrônico cresce 40% em um ano

O conforto das compras pela internet está vencendo a desconfiança do consumidor brasileiro. Segundo uma pesquisa da e-bit em parceria com a Câmara Brasileira de Comércio eletrônico, o comércio pela internet no Brasil teve um faturamento de R$ 14,8 bilhões em 2010, contra R$ 10,6 bilhões em 2009. Para 2011 a expectativa é de R$ 20 bilhões.

E enquanto se estabelece como alternativa ao comércio tradicional, o e-commerce vem apresentando mudanças no seu próprio perfil. O setor campeão de vendas, pela primeira vez, é o de eletrodomésticos, seguido por "livros, assinaturas de revistas e jornais", "saúde, beleza e medicamentos", informática e eletrônicos. CDs e DVDs, que em anos anteriores eram presença garantida entre os mais vendidos, não aparecem na pesquisa.

Outra pesquisa, feita pelo Ibope revela que, embora o momento positivo da economia esteja inserindo as classes C e D também no comércio eletrônico, os principais compradores ainda são das classes A e B, com maioria masculina e idade média de 33 anos. Para orientar os novos e-consumidores, a camara-e.net lançou no ano passado uma cartilha sobre segurança em compras pela internet.

Essa movimentação do comércio físico para o virtual está favorecendo os estados onde estão os centros de distribuição das grandes lojas, geralmente São Paulo e Rio de Janeiro. Por isso, na semana passada, outros 18 estados se uniram para estabelecer a cobrança do ICMS (Imposto sobre Circulação de Bens e Mercadorias) em vendas pela internet. Alguns estados, como a Bahia e o Ceará, já adotaram medidas semelhantes. O Rio Grande do Sul é um dos assinantes do protocolo, mas no comércio local a preocupação aparentemente é mínima.

A última febre proporcionada pelo e-commerce são os sites de compras coletivas, que oferecem produtos e serviços, geralmente locais, com descontos que podem chegar a 90%. Segundo o e-bit, já existem mais de 1200 sites de compras coletivas no país. O ClickOn, um dos três principais, já oferece até uma promoção para o show do U2 em Buenos Aires.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Retrocesso no Ministério da Cultura

Em um governo cheio de contrastes entre o que era esperado e o que foi feito, como foi o do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a cultura foi uma área que se destacou pelo viés visivelmente progressista com que foi gerida. Como consequência, muitos foram os agentes culturais que se engajaram na campanha da escolhida de Lula para a sua sucessão, Dilma Roussef. Mas a dificuldade em entregar o que se espera parece ser uma constante no PT, mesmo quando o esperado é que tudo permaneça como está.

O cheiro de retrocesso já era sentido pelos mais próximos ao Ministério da Cultura quando o primeiro sinal se concretizou para o público: com menos de um mês no cargo, a Ministra Ana de Hollanda decidiu retirar do site do Minc o logotipo relativo à licença Creative Commons, um conjunto de normas destinadas a flexibilizar os direitos autorais, facilitando o acesso às obras licenciadas.



As Creative Commons haviam sido adotadas desde o início do primeiro governo Lula, quando o ministro era Gilberto Gil. O ex-ministro, que na carreira artística produziu diversas odes aos novos tempos da comunicação, demonstrou sintonia com o projeto petista (de então) para a cultura e acalmou as críticas iniciais à sua escolha. Antes de sair do ministério, em 2008, Gil lançou o Fórum Nacional de Direito Autoral e contribuiu com o debate sobre a reforma na lei de direitos autorais.



A reforma foi um dos pontos de maior dedicação do ministro seguinte, Juca Ferreira, cuja gestão promoveu uma consulta pública para arrecadar contribuições ao projeto. Algumas metas seriam adequar a legislação à realidade das mídias digitais e regularizar questões como o funcionamento do ECAD, Escritório Central de Arrecadação e Distribuição, o órgão que cuida da cobrança e distribuição de dinheiro aos compositores pela execução de suas músicas pelo país. O ECAD, de péssima reputação entre os músicos não-midiáticos, tem ligações pouco publicadas com a nova ministra e é um dos privilegiados no novo ministério. A reforma foi interrompida.

O último sinal do compromisso de Ana de Hollanda com o século passado foi dado no fim de Fevereiro, com a demissão do Diretor de Direitos Intelectuais do Ministério da Cultura, Marcos Souza, um dos articuladores da reforma. A saída de Souza causou uma ameaça de demissão coletiva de 16 servidores do Minc, inconformados com o novo rumo do ministério. Em seu lugar entrou Marcia Regina Barbosa, indicada por Hildebrando Pontes Neto, advogado, adivinhem... do ECAD!

Mas ainda houve mais um indicativo de afastamento do legado lulista no começo de Março. Emir Sader, entusiástico militante lulista, havia sido convidado a presidir a Fundação Casa de Rui Barbosa, entidade de preservação e pesquisa da cultura nacional. Porém, em entrevista ao jornal Folha de São Paulo publicada em 27 de Fevereiro, ao comentar a situação do Minc, problemas com o Pontos de Cultura e a ausência de respostas por parte da ministra, Sader afirmou que ela é "meio autista". Em 2 de Março Ana de Hollanda anunciou que ele não iria mais para a Casa. Embora o motivo mais aceito para a "queda" tenha sido a declaração irônica, alguns - como o próprio Sader - afirmam que o real motivo seriam os seus planos de mudar o foco da Casa, que teriam incomodado setores conservadores dentro e fora dela.

A presidenta, dependendo da fonte, apoiou ou foi a autora da decisão. Sader foi substituído por Wanderley Guilherme dos Santos, uma mudança meramente nominal. Mas a remoção de um grande defensor do ex-presidente Lula do governo Dilma, assim como as ações anteriores do novo Minc, foi comemorada, disfarçada ou escancaradamente, por representantes da "grande" mídia.

Do outro lado, concentrados na internet, apoiadores do Minc progressista se mostram entre perplexos e indignados com a nova gestão. Entre eles está o coordenador de internet da campanha de Dilma Roussef, Marcelo Branco. A chamada blogosfera "progressista", ou "petista", dependendo da fonte, lamenta ainda movimentos da presidenta em direção a uma trégua com órgãos da mídia tradicional, que não tiveram a mesma boa vontade com Lula.

Enquanto isso, a ministra Ana de Hollanda afirma que tem o apoio da presidenta em seus atos. Ou seja, ela pode continuar tranquila com o seu "autismo", para os mais ingênuos, ou defendendo os interesses que está lá pra defender, praticando o silêncio característico dos que têm poder suficiente pra não precisar responder.

De desistência em desistência, trocando os poucos avanços que restaram pela defesa dos privilegiados de sempre, vejamos se, ao fim do mandato de Dilma, vai sobrar algo a se esperar de um governo do PT.

terça-feira, 1 de março de 2011

Novidades e revoluções árabes



Nesse começo de década, o mundo árabe, geralmente excluído do noticiário ocidental, voltou às manchetes das mídias tradicionais por força do seu povo e com a ajuda das novas mídias. Durante anos os governos destes países passaram quase despercebidos, pois não ofereciam uma ameaça à "estabilidade" do cenário internacional. Mas a frustração acumulada por anos de autoritarismo e corrupção mudou a história.

As revoltas começaram em Dezembro do ano passado na Tunísia, onde Mohamed Bouazizi, um vendedor ambulante, ateou fogo ao próprio corpo para protestar contra abusos policiais cometidos contra ele. A morte do vendedor levou a protestos que se espalharam pelo país e, em menos de um mês, derrubaram o governo de 23 anos do presidente Zine El Abidine Ben Ali.

O primeiro-ministro Mohamed Ghannouchi, aliado de Ben Ali, assumiu o controle do país e tentou formar um governo de transição com membros do governo e da oposição, mas os protestos continuaram, demandando o desmonte total do governo e do partido do ex-presidente. Tanto Ghannouchi quanto diversos ministros indicados por ele já renunciaram e a situação continua indefinida.

Em seguida, o foco do noticiário se moveu para o Egito, onde Hosni Mubarak governava por 30 anos. Começando no dia 25 de Janeiro, foram realizadas sucessivas manifestações por reformas políticas. Muitas das demandas foram atendidas, mas confrontos com apoiadores do presidente aumentaram a violência e o descontentamento da população levou milhões para as ruas.


Multidão na Praça Tahir, Egito

Mubarak renunciou em 11 de Fevereiro e entregou o poder ao Conselho Supremo das Forças Armadas. O Conselho dissolveu o parlamento e anunciou a realização de eleições em Setembro, mas, como na Tunísia, os manifestantes continuam pedindo o fim imediato do governo, que ainda mantém pessoas ligadas a Mubarak.

Nos dois países, a Internet teve um papel sem precedentes na organização de movimentos políticos populares. Protestos foram organizados por grupos no Facebook, como o egípcio We Are All Khaled Said, criado em homenagem a um jovem que foi espancado e morto pela polícia em Junho de 2010. Em resposta, o governo egípcio, ainda com Mubarak, bloqueou Twitter e Facebook por vários dias no país inteiro.

Na Tunísia, algumas fontes afirmam que a maioria das manifestações foi organizada pelo Facebook. Vídeos da repressão policial foram publicados pelos manifestantes no Youtube e chamaram atenção do exterior, o que levou ao bloqueio de sites de vídeo. Após a queda de Ben Ali, o governo interino nomeou o blogueiro Slim Amamou como ministro da Juventude e do Esporte.



O principal foco atual de tensões é a Líbia, do ditador Muammar Kaddafi. Excêntrico e pretensamente nacionalista, Kaddafi é o único dos governantes citados que já foi visto como vilão pelo mundo ocidental, inclusive com participação em atentados terroristas. Nos últimos anos ele vinha se reconciliando com os poderes ocidentais, assinando tratados de cooperação e abrindo o país para empresas multinacionais.

A revolta começou em 15 de Fevereiro com um pequeno protesto na cidade de Benghazi. A reação do governo desde o princípio tem sido bastante violenta e a oposição tenta tomar o poder no país aos poucos. No último dia 27 foi anunciada a formação de um Conselho Nacional para administrar as diversas cidades que não estão mais sob controle de Kaddafi.

Diversos outros países da região passam por turbulências, como Bahrein - que já teve o GP de Fórmula 1 da próxima temporada cancelado -, Iêmen, Jordânia e Irã. Introduzindo o uso da Internet em revoluções democráticas e tendo, ao mesmo tempo, diversas tribos, grupos religiosos e herdeiros de regimes ditatoriais disputando o poder, o mundo árabe agora balança entre ser a vanguarda do mundo ou cair novamente no conservadorismo.