segunda-feira, 18 de abril de 2011

Os problemas da música independente em Pelotas

O artista pelotense precisa dar um empurrão no público. É o que se conclui na conversa com alguns músicos da cidade, em que eles relatam as suas visões do cenário independente da música local - ou seja, quase toda a música local.

Para o rapper Zudizilla, o problema "nunca foi o público. Se somos independentes e não tá rolando festas etc, é porque nós mesmos não estamos fazendo por onde." Ele teoriza que "a relação artista-público deve ser estabelecida através de mais do que simplesmente musica. É muito fácil, pela internet, conhecer bandas que não são da nossa cidade, por isso temos que trabalhar em um diferencial que aproxime o artista de seu ouvinte."

Já a cantora Gabi Lima, que hoje mora em POA, mas por muitos anos frequentou bares e festivais da cidade com o seu rock alternativo, não isenta ninguém. "Acho que o espaço é pouco, o pessoal prefere sair pra ouvir cover das mesmas coisas que as pessoas tão fazendo cover há 20 anos. Acho que os produtores pagam mais para bandas de fora do que bandas locais, como se fosse um mérito não ser de Pelotas. Acho que as bandas locais se sujeitam a condições ruins de trabalho."

O pessimismo só dá uma trégua parcial na análise da música em si. "Quanto à produção... acho que tem coisas maravilhosas, que só algumas dezenas de pessoas vão conhecer." Os dois músicos, de origens distintas entre si, concordam que não há um estilo predominante na cidade, ecletismo celebrado por Zudizilla. "Já toquei com banda de tudo que é tipo, dentro do âmbito alternativo. Isso é muito bom."

Mas questionados sobre o que mudou na cidade nos anos em que estão na ativa, eles demonstram perspectivas que são consequência do background diverso. Enquanto Gabi reclama que "fechou o [bar] Minifundio", Zudizilla diz que "muitos roqueiros mudaram sua visão a respeito do rap, e muitos rappers fizeram o mesmo."

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