segunda-feira, 18 de abril de 2011

Cyberbullying: a crueldade 2.0

Até poucos anos atrás, o bullying não tinha nem nome. Atos de violência física ou psicológica entre crianças eram considerados normais e a escola só se envolvia em casos extremos, não raro para culpar as vítimas por se sentirem ofendidas quando eram ofendidas.

Mas em uma sociedade de violência crescente, a violência escolar acompanhou esse crescimento e finalmente chamou atenção dos adultos. Agora, com um perigoso aliado proporcionado pela revolução digital: o cyberbullying.

O cyberbullying é a transposição do assédio e intimidação entre crianças, do espaço físico para o virtual. Para isso podem ser usados celular, emails, comunidades de difamação das vítimas e até perfis falsos em sites de relacionamento.

O agressor tem a vantagem de poder se proteger no anonimato e não precisar de hora e local específicos para causar sofrimento. E como frequentemente os mais jovens tem mais conhecimentos do mundo virtual do que os seus pais, a situação piora.

Como o nome indica, a preocupação com o cyberbullying começou no exterior. Os EUA já contam com vários casos de suicídio motivado por bullying e cyberbullying. Curiosamente, o mais conhecido, da menina Megan Meier, de 13 anos, teve como "carrasco" a mãe de uma colega de Megan. Lori Drew, de 47 anos, fingia ser um menino interessado em Megan. Minutos antes do suicídio, Lori havia enviado uma mensagem dizendo a Megan que "o mundo seria melhor sem ela".

Megan Meier, 13 anos, se suicidou após sofrer cyberbullying

No Brasil já houve pelo menos um caso extremo envolvendo o uso das novas tecnologias para humilhação. O jovem paranaense Thiago Arruda, de 19 anos, foi chamado de "homossexual e pedófilo" em uma comunidade virtual e passou a ser agredido na rua. Um ano depois, Thiago foi encontrado morto dentro do seu carro, asfixiado pelo monóxido de carbono do escapamento do próprio carro, levado por uma mangueira.

A negligência acaba sendo vencida da maneira que os adultos se entendem: pelo bolso. No ano passado, uma mãe foi condenada a pagar R$ 5 mil por montagens fotográficas feitas pelo filho para humilhar um colega e postadas na internet em Carazinho, RS. Em São Paulo, alguns pais já registram atos de cyberbullying em cartório para possíveis processos.

Além disso, diversos estudos e projetos tentam jogar luz no tema "recém descoberto". No Rio Grande do Sul, foi aprovada uma lei que prevê políticas públicas de combate ao bullying nas escolas de ensino básico e de educação infantil, e o Congresso Nacional vai pelo mesmo caminho.

Nenhum comentário:

Postar um comentário