terça-feira, 31 de maio de 2011

Gabinete Digital tenta levar o governo para a internet

Foi o encontro da fome com a vontade de comer. Com o lançamento no último dia 24 do Gabinete Digital, em cerimônia que contou com a presença de diversos ativistas e figuras da esquerda "virtual" no Palácio Piratini, o governador Tarso Genro começa a testar a compatibilidade da internet com teorias desenvolvidas há décadas pelo Partido dos Trabalhadores.

Um dos principais intelectuais do PT, Tarso é um defensor da democracia direta, um regime em que população tem um papel mais ativo na condução da sociedade do que apenas escolher os seus representantes a cada eleição. Ele foi um dos mentores de uma ação pioneira no país nesse sentido, o Orçamento Participativo desenvolvido em Porto Alegre por 16 anos em cinco administrações, sendo duas vezes o próprio Tarso o prefeito.

Agora o governador apresenta mais um projeto pioneiro, aliando o ideal de democracia direta às possibilidades da internet. Pela facilidade de acesso tanto à transmissão quanto à recepção de informações para todos os usuários, a internet tem potencial para ser o espaço ideal da democracia direta. É nesse poder de diálogo que aposta o Gabinete Digital.

O Gabinete é composto de três ferramentas. Em "Governador Responde", os internautas vão enviar perguntas e votar naquelas que desejam ver respondidas. A mais votada de cada mês será respondida pelo governador. Em "Agenda Colaborativa", as atividades de "interiorização" do governo, quando governador e secretários transferem seus gabinetes para outras cidades, receberão sugestões de temas a serem tratados. Por fim, em "Governo Escuta", audiências públicas com especialistas em temas da atualidade serão transmitidas pelo site e terão participação dos internautas.

O site segue algumas políticas comuns de governos do PT na área digital, foi criado em software livre e com licença Creative Commons. Esta tomada de posição do governo Tarso gerou manifestações de alguns dos presentes na cerimônia, como o ator José de Abreu, que se engajaram na eleição da presidenta Dilma Roussef e demonstraram descontentamento com atitudes do governo federal, como a retirada do Creative Commons do site do Ministério da Cultura.

Na inauguração, o governador lembrou a separação atual entre a população e os seus representantes e falou em "radicalização democrática". Já coordenador do projeto, Vinicius Wu, afirmou que a partir de agora "o cidadão só não atuará nas decisões do Governo se não quiser". O Gabinete Digital tem, obviamente, bem menos poder deliberativo que o Orçamento Participativo, mas pode ser um passo para levar a democracia brasileira de vez para a internet, finalmente partindo do próprio Estado.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Teia de incentivos 3 - Muito editado

Por Roberto Zambonato

Em 2001, o mundo dos gibis era negro. Saídas de uma década de crise, as grandes editoras americanas cortavam gastos. Grandes desenhistas eram demitidos. Grandes roteiristas achavam espaço em outras áreas, com melhor remuneração. O mercado dos quadrinhos, encabeçado pelas gigantes Marvel e DC Comics, diminuía em alta velocidade. Sem enxergar alternativas, as editoras faziam pouco mais que lançar novas séries a cada três meses, buscando novo público, sem muitos resultados. Mas no ano seguinte, com o lançamento do primeiro filme do carismático Homem-Aranha, o horizonte brilhou, mais uma vez cheio de esperança.

Era o blockbuster que as editoras precisavam. Um novo público surgiu, adolescentes voltaram a encarar os super-heróis como algo descolado, novo, desejado. Ao mesmo tempo, antigos leitores voltaram a buscar os quadrinhos, motivados pelo renascimento.

Com o sucesso massivo de Homem-Aranha, uma nova leva de filmes sobre super-heróis foi lançada, dos mais famosos, como o remake de Super-Homem, aos mais obscuros, como Kick Ass. E os resultados foram dos mais desastrosos, como Demolidor, até os mais bem-sucedidos, como Batman Begins e sua seqüência, O Cavaleiro das Trevas. E agora, com o respaldo dos seus antecessores, chega às telas a nova aposta da Marvel, Thor.

A escolha do grande filme de super-herói deste ano não apareceu do nada. Ele é a receita trabalhada de insistência no nicho bem-sucedido, com a promessa de uma nova série de filmes. Thor, herói que simboliza o avatar do deus do trovão da mitologia nórdica, faz parte d'Os Vingadores, uma equipe de heróis que replica em muitos sentidos a Liga da Justiça, da rival DC Comics, mas prima pela concentração no emocional e personalidade dos seus membros - característica, aliás, encontrada nos personagens da Marvel.

Além de Thor, Homem de Ferro, Homem-Aranha e Wolverine, membros da equipe que já possuem seus filmes, os próximos já estão a caminho. O líder, Capitão América, por exemplo, já está prestes a ter seu filme lançado, e o personagem Gavião Arqueiro aparece nas últimas cenas do filme de Thor, sinalizando a proximidade do filme próprio da equipe.

O hobby de ler gibis se modificou, renasceu na década de 2000 e começou os anos 2010 com estilo, apostando em um personagem instigante e popular. Neste ano, além da estréia em julho do Capitão América, em junho a DC responde com o filme do Lanterna Verde, tentando suplantar a popularidade da rival com um de seus personagens clássicos. O embate entre Marvel e DC continua, mais lucrativo que nunca - para várias indústrias - e bem diferente dos prognósticos feitos dez anos atrás, apocalípticos e temerosos, sem saber que o messias estava logo ali, trazendo consigo o sucesso preso à teia.

Teia de incentivos 2 - Pouco editado

Por Roberto Zambonato

Em 2001, o mundo dos gibis era negro. Saídas de uma década de crise, as grandes editoras americanas cortavam gastos. Grandes desenhistas eram demitidos. Grandes roteiristas achavam espaço em outras áreas, com melhor remuneração. O popular passatempo, alimentado pelas gigantes Marvel e DC Comics, decaía em alta velocidade. As editoras apenas observavam, fazendo pouco mais que lançar novas séries a cada três meses, buscando novo público, sem muitos resultados. Então veio 2002 e, com o primeiro filme do carismático Homem-Aranha, e o horizonte brilhou mais uma vez cheio de esperança.

Era o blockbuster que as editoras de quadrinhos precisavam. Novos públicos se interessaram, adolescentes encararam os super-heróis como algo descolado, novo, desejado. Antigos leitores voltaram a buscar o trabalho das editoras, motivados pelo renascimento.

Com o sucesso massivo de Homem-Aranha, uma série de filmes sobre super-heróis foi lançado. Dos mais famosos, como o Super-Homem, até os mais obscuros, como Kick Ass. Dos mais desastrosos, como Demolidor, até os mais bem-sucedidos, como Batman Begins e sua seqüência O Cavaleiro das Trevas. E hoje, com o respaldo dos seus antecessores, o primeiro d'Os Vingadores chegou às telas, já como promessa de sucesso: Thor.

O novo grande filme de super-herói deste ano não apareceu do vácuo. Ele é a receita trabalhada de insistência no nicho bem-sucedido, com promessa de uma nova série de filmes lucrativa. Thor, herói da Marvel que simboliza o deus do trovão da mitologia nórdica, faz parte d'Os Vingadores, uma equipe de heróis que replica em muitos sentidos a Liga da Justiça, da rival DC Comics, mas prima pela concentração no emocional e personalidade dos seus membros - característica, encontrada nos personagens da Marvel.

Além de Thor, Homem de Ferro, Homem-Aranha e Wolverine, membros da equipe que já possuem seus filmes, o projeto dos próximos já está a caminho. Capitão América, líder d'Os Vingadores, por exemplo, já está prestes a ter seu filme lançado, e o personagem Gavião Arqueiro aparece nas últimas cenas do filme de Thor, simbolizando a proximidade do filme próprio da equipe.

O hobby de leitura de gibis se alterou, renasceu na década de 2000, e começou os anos 2010 com estilo, apostando em um personagem instigante e popular. Ainda este ano, além da estréia de Capitão América, em julho, a DC responde com o filme do Lanterna Verde, a estrear em junho, buscando suplantar a popularidade atual da Marvel com um de seus personagens mais famosos. O embate entre Marvel e DC continua, nunca sendo tão lucrativo para as mais diferentes indústrias, e nunca tão diferente dos prognósticos feitos dez anos atrás, apocalípticos e temerosos, sem saber que o messias estava logo ali, trazendo consigo o sucesso preso à teia.

Teia de incentivos

Por Roberto Zambonato

Em 2001, o mundo dos gibis era negro. Saídas de uma década de crise, as grandes editoras americanas cortavam gastos. Grandes desenhistas eram demitidos. Grandes roteiristas achavam espaço em outras áreas, com melhor remuneração. O popular passatempo, alimentado pelas gigantes Marvel e DC Comics, decaía em alta velocidade. Sem verba para procurar uma alternativa melhor, as editoras apenas observavam fazendo pouco mais que lançar novas séries a cada três meses, buscando novo público, sem muitos resultados. Então veio 2002, e, com o ano, o primeiro filme do carismático Homem-Aranha, e o horizonte brilhou mais uma vez cheio de esperança.

O filme de 2002 não foi o primeiro filme de super-heróis, fórmula já muito utilizada anteriormente no cinema, mas foi um marco por ser o primeiro a apropriar-se do personagem e começar sua própria história, seus próprios conflitos, cheio de investimento, voltado ao público, pensando em, objetivamente, lucrar. Era o blockbuster que as editoras de quadrinhos precisavam. Novos públicos se interessaram, adolescentes encararam os super-heróis como algo descolado, novo, desejado. Antigos leitores voltaram a buscar o trabalho das editoras, motivados pelo renascimento.

Com o sucesso massivo de Homem-Aranha, uma série de filmes sobre super-heróis foi lançado. Desde os mais famosos, como o remake de Super-Homem, até os mais obscuros, como Kick Ass. Desde os mais desastrosos, como Demolidor, até os mais bem-sucedidos, como Batman Begins e sua seqüência O Cavaleiro das Trevas. E hoje, com o respaldo dos seus antecessores, o primeiro d'Os Vingadores chegou às telas, já como promessa de sucesso: Thor.

O novo grande filme de super-herói deste ano não apareceu do vácuo. Ele é a receita trabalhada de insistência no nicho bem-sucedido dos gibis com promessa de uma nova série de filmes lucrativa. Thor, herói da editora Marvel que simboliza o avatar do deus do trovão da mitologia nórdica, faz parte d'Os Vingadores, uma equipe de heróis que replica em muitos sentidos a Liga da Justiça, da rival DC Comics, mas prima pela concentração no emocional e personalidade dos seus membros - característica, aliás, encontrada nos personagens da Marvel.

Além de Thor, Homem de Ferro, Homem-Aranha e Wolverine, membros da equipe que já possuem seus filmes bem-sucedidos, o projeto dos próximos já está a caminho. Capitão América, líder d'Os Vingadores, por exemplo, já está prestes a ter seu filme lançado, e o personagem Gavião Arqueiro aparece nas últimas cenas do filme de Thor, simbolizando a proximidade do filme próprio da equipe de heróis.

O hobby de leitura de gibis se alterou, mas renasceu na década de 2000, e começou os anos 2010 com estilo, apostando em um personagem instigante e popular. Ainda este ano, além da estréia de Capitão América, em julho, a DC responde os Vingadores com o filme do Lanterna Verde, a estrear em junho, buscando suplantar a popularidade atual da editora Marvel com um de seus personagens mais famosos. O embate Marvel e DC Comics continua, nunca sendo tão lucrativo para as mais diferentes indústrias, e nunca tão diferente dos prognósticos feitos dez anos atrás, apocalípticos e temerosos, sem saber que o messias estava logo ali, trazendo consigo o sucesso preso à teia.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Os muitos novos guardiões da informação

Dentro da ausência de limites do ciberespaço, o papel de gatekeeper - o "guardião", aquele que escolhe o que vai ser e o que não vai ser notícia -, antes atribuído ao jornalista ou ao veículo, foi distribuído. O leitor de jornal, por exemplo, ao entrar na internet, tem à disposição não só o seu jornal, mas também uma infinidade de sites, blogs de jornalistas ou de pessoas comuns, todos tratando do(s) assunto(s) que lhe interessa(m).

Nesse contexto estão os sites de redes sociais, como o Twitter. O Twitter interfere no poder de escolher o que é notícia transferindo-o para o leitor, de duas formas.

Em primeiro lugar, o Twitter dá voz igual a todos. E depois que todos disseram o que tinham a twitar, o site ainda hierarquiza os assuntos conforme a sua "popularidade", através dos Trending Topics. O jornalista, que tem o dever de estar (e aparentar estar) informado, não pode ignorar esse falatório. Isso confere à plataforma - isto é, aos usuários - o poder de pautar o jornalista.

Em segundo lugar, se existe a demanda por algum tipo de informação, provavelmente vai existir a oferta em algum perfil. Assim, com a infinidade de opções, o leitor pode escolher seguir apenas os veículos, as editorias, os jornalistas, as hashtags que lhe interessam. O leitor "monta" o seu jornal. Desta forma, a relação entre o jornalista e o seu público se torna uma espécie de osmose, em que eles vão se tornando cada vez mais parecidos.

Mesmo assim, para manter a sua relevância na sociedade, o jornalista precisa garantir a relevância e a confiabilidade da informação que publica. Como a quantidade de coisas que acontecem continua sendo grande, mesmo dentro de nichos o jornalista precisa filtrar os fatos. Mas essa tarefa agora é mais difícil, pois a escolha não pode mais ser tão arbitrária ou pessoal como sugeria a teoria do gatekeeper. Agora ela é compartilhada.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Atividade de hipermídia

Resumo da Cobertura do Seminário Internacional Comunicação para o Desenvolvimento, realizado nos dias 18 e 19 de abril na sede da Embrapa Clima Temperado.
Cobertura do Evento no Twitter.
Imagens no Twitpic.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Cyberbullying: a crueldade 2.0

Até poucos anos atrás, o bullying não tinha nem nome. Atos de violência física ou psicológica entre crianças eram considerados normais e a escola só se envolvia em casos extremos, não raro para culpar as vítimas por se sentirem ofendidas quando eram ofendidas.

Mas em uma sociedade de violência crescente, a violência escolar acompanhou esse crescimento e finalmente chamou atenção dos adultos. Agora, com um perigoso aliado proporcionado pela revolução digital: o cyberbullying.

O cyberbullying é a transposição do assédio e intimidação entre crianças, do espaço físico para o virtual. Para isso podem ser usados celular, emails, comunidades de difamação das vítimas e até perfis falsos em sites de relacionamento.

O agressor tem a vantagem de poder se proteger no anonimato e não precisar de hora e local específicos para causar sofrimento. E como frequentemente os mais jovens tem mais conhecimentos do mundo virtual do que os seus pais, a situação piora.

Como o nome indica, a preocupação com o cyberbullying começou no exterior. Os EUA já contam com vários casos de suicídio motivado por bullying e cyberbullying. Curiosamente, o mais conhecido, da menina Megan Meier, de 13 anos, teve como "carrasco" a mãe de uma colega de Megan. Lori Drew, de 47 anos, fingia ser um menino interessado em Megan. Minutos antes do suicídio, Lori havia enviado uma mensagem dizendo a Megan que "o mundo seria melhor sem ela".

Megan Meier, 13 anos, se suicidou após sofrer cyberbullying

No Brasil já houve pelo menos um caso extremo envolvendo o uso das novas tecnologias para humilhação. O jovem paranaense Thiago Arruda, de 19 anos, foi chamado de "homossexual e pedófilo" em uma comunidade virtual e passou a ser agredido na rua. Um ano depois, Thiago foi encontrado morto dentro do seu carro, asfixiado pelo monóxido de carbono do escapamento do próprio carro, levado por uma mangueira.

A negligência acaba sendo vencida da maneira que os adultos se entendem: pelo bolso. No ano passado, uma mãe foi condenada a pagar R$ 5 mil por montagens fotográficas feitas pelo filho para humilhar um colega e postadas na internet em Carazinho, RS. Em São Paulo, alguns pais já registram atos de cyberbullying em cartório para possíveis processos.

Além disso, diversos estudos e projetos tentam jogar luz no tema "recém descoberto". No Rio Grande do Sul, foi aprovada uma lei que prevê políticas públicas de combate ao bullying nas escolas de ensino básico e de educação infantil, e o Congresso Nacional vai pelo mesmo caminho.