quinta-feira, 19 de maio de 2011

Teia de incentivos 3 - Muito editado

Por Roberto Zambonato

Em 2001, o mundo dos gibis era negro. Saídas de uma década de crise, as grandes editoras americanas cortavam gastos. Grandes desenhistas eram demitidos. Grandes roteiristas achavam espaço em outras áreas, com melhor remuneração. O mercado dos quadrinhos, encabeçado pelas gigantes Marvel e DC Comics, diminuía em alta velocidade. Sem enxergar alternativas, as editoras faziam pouco mais que lançar novas séries a cada três meses, buscando novo público, sem muitos resultados. Mas no ano seguinte, com o lançamento do primeiro filme do carismático Homem-Aranha, o horizonte brilhou, mais uma vez cheio de esperança.

Era o blockbuster que as editoras precisavam. Um novo público surgiu, adolescentes voltaram a encarar os super-heróis como algo descolado, novo, desejado. Ao mesmo tempo, antigos leitores voltaram a buscar os quadrinhos, motivados pelo renascimento.

Com o sucesso massivo de Homem-Aranha, uma nova leva de filmes sobre super-heróis foi lançada, dos mais famosos, como o remake de Super-Homem, aos mais obscuros, como Kick Ass. E os resultados foram dos mais desastrosos, como Demolidor, até os mais bem-sucedidos, como Batman Begins e sua seqüência, O Cavaleiro das Trevas. E agora, com o respaldo dos seus antecessores, chega às telas a nova aposta da Marvel, Thor.

A escolha do grande filme de super-herói deste ano não apareceu do nada. Ele é a receita trabalhada de insistência no nicho bem-sucedido, com a promessa de uma nova série de filmes. Thor, herói que simboliza o avatar do deus do trovão da mitologia nórdica, faz parte d'Os Vingadores, uma equipe de heróis que replica em muitos sentidos a Liga da Justiça, da rival DC Comics, mas prima pela concentração no emocional e personalidade dos seus membros - característica, aliás, encontrada nos personagens da Marvel.

Além de Thor, Homem de Ferro, Homem-Aranha e Wolverine, membros da equipe que já possuem seus filmes, os próximos já estão a caminho. O líder, Capitão América, por exemplo, já está prestes a ter seu filme lançado, e o personagem Gavião Arqueiro aparece nas últimas cenas do filme de Thor, sinalizando a proximidade do filme próprio da equipe.

O hobby de ler gibis se modificou, renasceu na década de 2000 e começou os anos 2010 com estilo, apostando em um personagem instigante e popular. Neste ano, além da estréia em julho do Capitão América, em junho a DC responde com o filme do Lanterna Verde, tentando suplantar a popularidade da rival com um de seus personagens clássicos. O embate entre Marvel e DC continua, mais lucrativo que nunca - para várias indústrias - e bem diferente dos prognósticos feitos dez anos atrás, apocalípticos e temerosos, sem saber que o messias estava logo ali, trazendo consigo o sucesso preso à teia.

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