Por Roberto Zambonato
Em 2001, o mundo dos gibis era negro. Saídas de uma década de crise, as grandes editoras americanas cortavam gastos. Grandes desenhistas eram demitidos. Grandes roteiristas achavam espaço em outras áreas, com melhor remuneração. O popular passatempo, alimentado pelas gigantes Marvel e DC Comics, decaía em alta velocidade. Sem verba para procurar uma alternativa melhor, as editoras apenas observavam fazendo pouco mais que lançar novas séries a cada três meses, buscando novo público, sem muitos resultados. Então veio 2002, e, com o ano, o primeiro filme do carismático Homem-Aranha, e o horizonte brilhou mais uma vez cheio de esperança.
O filme de 2002 não foi o primeiro filme de super-heróis, fórmula já muito utilizada anteriormente no cinema, mas foi um marco por ser o primeiro a apropriar-se do personagem e começar sua própria história, seus próprios conflitos, cheio de investimento, voltado ao público, pensando em, objetivamente, lucrar. Era o blockbuster que as editoras de quadrinhos precisavam. Novos públicos se interessaram, adolescentes encararam os super-heróis como algo descolado, novo, desejado. Antigos leitores voltaram a buscar o trabalho das editoras, motivados pelo renascimento.
Com o sucesso massivo de Homem-Aranha, uma série de filmes sobre super-heróis foi lançado. Desde os mais famosos, como o remake de Super-Homem, até os mais obscuros, como Kick Ass. Desde os mais desastrosos, como Demolidor, até os mais bem-sucedidos, como Batman Begins e sua seqüência O Cavaleiro das Trevas. E hoje, com o respaldo dos seus antecessores, o primeiro d'Os Vingadores chegou às telas, já como promessa de sucesso: Thor.
O novo grande filme de super-herói deste ano não apareceu do vácuo. Ele é a receita trabalhada de insistência no nicho bem-sucedido dos gibis com promessa de uma nova série de filmes lucrativa. Thor, herói da editora Marvel que simboliza o avatar do deus do trovão da mitologia nórdica, faz parte d'Os Vingadores, uma equipe de heróis que replica em muitos sentidos a Liga da Justiça, da rival DC Comics, mas prima pela concentração no emocional e personalidade dos seus membros - característica, aliás, encontrada nos personagens da Marvel.
Além de Thor, Homem de Ferro, Homem-Aranha e Wolverine, membros da equipe que já possuem seus filmes bem-sucedidos, o projeto dos próximos já está a caminho. Capitão América, líder d'Os Vingadores, por exemplo, já está prestes a ter seu filme lançado, e o personagem Gavião Arqueiro aparece nas últimas cenas do filme de Thor, simbolizando a proximidade do filme próprio da equipe de heróis.
O hobby de leitura de gibis se alterou, mas renasceu na década de 2000, e começou os anos 2010 com estilo, apostando em um personagem instigante e popular. Ainda este ano, além da estréia de Capitão América, em julho, a DC responde os Vingadores com o filme do Lanterna Verde, a estrear em junho, buscando suplantar a popularidade atual da editora Marvel com um de seus personagens mais famosos. O embate Marvel e DC Comics continua, nunca sendo tão lucrativo para as mais diferentes indústrias, e nunca tão diferente dos prognósticos feitos dez anos atrás, apocalípticos e temerosos, sem saber que o messias estava logo ali, trazendo consigo o sucesso preso à teia.
Nenhum comentário:
Postar um comentário