Dentro da ausência de limites do ciberespaço, o papel de gatekeeper - o "guardião", aquele que escolhe o que vai ser e o que não vai ser notícia -, antes atribuído ao jornalista ou ao veículo, foi distribuído. O leitor de jornal, por exemplo, ao entrar na internet, tem à disposição não só o seu jornal, mas também uma infinidade de sites, blogs de jornalistas ou de pessoas comuns, todos tratando do(s) assunto(s) que lhe interessa(m).
Nesse contexto estão os sites de redes sociais, como o Twitter. O Twitter interfere no poder de escolher o que é notícia transferindo-o para o leitor, de duas formas.
Em primeiro lugar, o Twitter dá voz igual a todos. E depois que todos disseram o que tinham a twitar, o site ainda hierarquiza os assuntos conforme a sua "popularidade", através dos Trending Topics. O jornalista, que tem o dever de estar (e aparentar estar) informado, não pode ignorar esse falatório. Isso confere à plataforma - isto é, aos usuários - o poder de pautar o jornalista.
Em segundo lugar, se existe a demanda por algum tipo de informação, provavelmente vai existir a oferta em algum perfil. Assim, com a infinidade de opções, o leitor pode escolher seguir apenas os veículos, as editorias, os jornalistas, as hashtags que lhe interessam. O leitor "monta" o seu jornal. Desta forma, a relação entre o jornalista e o seu público se torna uma espécie de osmose, em que eles vão se tornando cada vez mais parecidos.
Mesmo assim, para manter a sua relevância na sociedade, o jornalista precisa garantir a relevância e a confiabilidade da informação que publica. Como a quantidade de coisas que acontecem continua sendo grande, mesmo dentro de nichos o jornalista precisa filtrar os fatos. Mas essa tarefa agora é mais difícil, pois a escolha não pode mais ser tão arbitrária ou pessoal como sugeria a teoria do gatekeeper. Agora ela é compartilhada.
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